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quarta-feira, 9 de março de 2011

Metades




metade é o que somos à luz das coisas,
metade é espelho.
metade do que temos é a sombra e a pedra,
metade é reentrança.
metade das vidas que segamos é a nossa,
metade é sobrevivência.
metade do caminho intercede e ampara,
metade é axioma.
metade das pernas é aragem e estro,
metade é atonia.
metade das ruas é ajuntamento,
metade é distração.
metade das ditas é prospecção,
metade é imperfeito.
metade do tempo é a presença pura,
metade é privação.
metade das horas é amputação e aflição,
metade é inópia.
metade das travessias é a mediocridade,
metade é róseo.
metade dos desejos resiste à ruptura,
metade é o que me dou: renúncia.


2 comentários:

  1. Oswaldo Montenegro ficaria orgulhoso.

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  2. Gostei muito do poema, principalmente, do final - "metade dos desejos resiste à ruptura,
    metade é o que me dou: renúncia." Me despertou a seguinte questão: O que vale a pena renunciar a si ou renunciar a um sonho?...fico me perguntando isso naqueles dias em que a vida mais parece uma longa espera do nada.

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