Amizade é quando o destino desafia a genética.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Reinvente os passos. Afaste-se das indiferenças, das amizades estanques, dos amores impossíveis. Sonhe menos, realize mais. Não acredite em propagandas de final de ano. Em todos os dias de sua vida, enfeite uma árvore com prenúncios de paz e prosperidade. Ame incondicionalmente alguém com quem não se mantenha qualquer vínculo genético. Invada o dia seguinte. Transborde. Deseje algo de bom para os que estão pelas calçadas, à espera de um milagre. Desligue a tevê. Conheça melhor seus vizinhos. Decore menos, aprenda mais. Descubra um sabor exótico. Espere ansiosamente alguém. Decepcione-se. Aprenda. Viaje. Acaricie seus pais. Dê de comer ao cachorro. Exponha-se menos. Não se esconda por frases de terceiros, vídeos apócrifos, fotografias de aluguel. Aceite-se. Amanhã pode ser domingo, se quiser que seja. Pegue tudo que se conquistou, subtraia o que ainda falta conquistar. Falta pouco. Saia da frente do computador. Abrace. Encante-se com os fogos. Estique a mão para alcançá-los. Caminhe descalço à beira-mar. Vez em quando, retorne. Veja o que há de bom no passado e transforme em presente. Queira. Todo dia pode ser réveillon. Quanto ainda falta para a sua felicidade?
"Se, em um dia em que tudo estivesse estático, sem vida, sobreviesse a intenção de convidar alguém para sair. Entanto, não quem mereça o título de alguém por pura indeterminação do sujeito, mas alguém que fizesse diferença por razão qualquer. E se, depois de uma longa e afetuosa conversa, um olhar antigo sobrepujasse um último reparo de formalidade. E se, dali por diante, os corpos espelhassem o alvor de sorrisos há muito íntimos demais. E se, pela brancura sem inocência posta em toques de ousadia, não houvesse mais necessidade de guarida em ironias e descasos que dissimulassem a real intenção dos corpos. E se não fosse um erro, mas uma oração."
Desde miúdo, curumim por descobrir o mundo, a tevê me obriga a crer na estupidez humana. Os programas policiais, todos os dias anunciam em cores vivas a morte da esperança. As novelas indicam que, para chegarmos a um final feliz, é preciso uma longa estrada de sofrimento e tragédias. Os "shows" de realidade animalizam. As propagandas de grandes lojas de departamentos associam felicidade a poder aquisitivo. E dizem que tudo isso é fantástico ou espetacular. Humor transformou-se em sangue e sexo. Sentei-me à calçada e vi o Sol se pôr. O céu, vermelho como a ira, é quase de LED. Ainda bem que, nesse momento, não se ouvia um plim-plim.
Amigos são insubstituíveis. Entanto, há quem diga que ninguém o é. Tolice. Não percamos tempo acreditando nisso. Ninguém há de me substituir por uma razão simples: sou único. Quem haveria de ser igual a mim, com os mesmos tratos e trejeitos? Assim são as amizades. Em dados momentos, afastam-se de tal maneira, que chegam a quase sumir no horizonte. Mas é impossível substituí-las. Onde eles, os amigos de verdade, estarão agora? Que importa! Basta que estejam no mundo. Em qualquer lugar que seja, nossos amigos estão prontos para nos amparar, desde o primeiro, até o último degrau. Sem eles, embora o caminho seja sempre o mesmo, não conseguiríamos prosseguir. É que nós, sem eles, jamais seríamos os mesmos.
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