Nem sempre o que é justo é possível...
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Discutindo relação
Há muito cortei relações com a tevê. E pensar que éramos tão amigos, confidentes fiéis de todas as horas. Tínhamos nossas desavenças, mas nada que maculasse a fé que passamos a nutrir um pelo outro. Sim, ela me entendia como uma irmã mais velha. Foi com ela que aprendi a fantasiar, a ter paciência, a falar apenas na hora certa, a fazer boas escolhas, a renegar um mundo que, de tão verdadeiro, parecia em preto-e-branco. Tínhamos um laço muito forte, umbilical eu diria. Se me aborrecia por aí, era nela que ia buscar consolo, e a danada sempre me trazia a fórmula certa para esquecer as dores mundanas: um desenho animado inédito, um filme de terror – ela sabia que eu adorava esse tipo de filme. Mas isso tudo é passado. Acho que amadureci cedo demais, talvez antes dela, e isso é fatal para qualquer relação. De estalo, o que ela me trazia já não me impressionava como antes. A freqüência com que nos encontrávamos foi esmorecendo a tal ponto, que hoje a tenho como uma estranha presença na minha casa. Sei que isso a deixou extremamente ressentida. Nada pior do que uma relação mal resolvida, interrompida por força maior. E ela, toda vez que me abandonava, pedia desculpas pelos transtornos, botava a culpa nos tais problemas técnicos e fazia promessas de que tudo voltaria ao normal. Eu não fiz isso. Simplesmente a abandonei, sem aviso prévio. Agora, noto que ela tenta a todo custo vingar-se de mim, tudo porque cresci, porque a vida passou a ser mais animadora e instigante do que aquela caixinha de surpresas que um dia alguém inventou de me oferecer como cura para a solidão. Olha que ela tentou me segurar, utilizando-se, inclusive, de um jogo baixo de sedução. Quando menos se esperava, vinham as apelações: mulheres seminuas, de seios intermináveis, corpos sinuosos espalhados pelos quatro cantos da tela, tudo que um adolescente franzino gostaria de ter num final de tarde vazio. Mas não ficou só nisso. Por onde quer que eu fosse, lá estava ela, observando-me, saindo do ar como em sinal de protesto pela minha indiferença; repetindo aquelas musiquinhas enfadonhas das propagandas de loja de calçados; até no meu primeiro beijo, na área da casa da então namoradinha, quando a coisa já estava engrenando, a desgraçada soltou a maldita chamada de um plantão para anunciar alguma notícia trágica de última hora; a menininha com quem me aconchegava correu para a sala para descobrir que Tancredo Neves havia morrido. E quanto à interrupção do meu primeiro beijo, quem iria anunciar essa tragédia? Ela sempre foi assim, vingativa na alma. Por isso a abandonei. E olha que hoje ela está bem mais atraente, esbelta, moderna. Se antes se embaraçava de ser a rainha-mãe de nossos lares, agora se apresenta como uma princesa, repaginada para seduzir todos que se entregam ao seu canto de Iara. A verdade é que, em alguns momentos, chego a sentir pena dela. Sozinha na sala, sem ninguém que a ampare, sem uma alma por seduzir. Nessas horas, até tento me aproximar, quem sabe propor uma trégua, em homenagem aos velhos tempos. Que nada! A desgraçada sabe me apunhalar. Quando pensei que estávamos nos entendendo novamente, uma nova estocada, profunda e figadal: Big Brother. Quer saber, ficamos melhor assim. Vamos fingir que não existimos. Ela lá e eu cá. O tempo se encarregará de apontar o verdadeiro culpado.
Sobre sonhos e passarinhos
Alguns me atribuem a pecha de pessimista, embora sem muito merecimento. Ocorre que não sei tratar de amenidades ou coisas do gênero. Talvez isso enrijeça meu texto ao ponto de me confundirem com um ser algo gélido, desalmado ou avesso a qualquer tema que desperte no leitor algum suspiro melodramático. Entanto, essa criogenia sentimental que me impõem tem lá seu fundamento. É que não consigo – até tento! – ver razão em certos devaneios líricos sem direcionamento. Meu universo, desde que me entendo como parte dele, sempre foi ensimesmado, trancafiado em uma concha de desconfianças e afastamentos, e devo minha sobrevivência a isso.
Agora, como escrever é, sobretudo, exercitar a nobre dádiva da mitomania, bem que eu poderia, em tempos de goteiras amorosas, suscitar sonhos e alavancar esperanças, mesmo em um mundo de portais eletrônicos que nos inebriam com as fantásticas promessas de amizades eternas, pelo menos até o contratempo de um provedor interrompido, uma ingrata queda de energia a macular a santa paz do HD ou um infeliz apagão bem no meio da tão esperada declaração de amor via MSN. Se assim é preciso para aplacar a ira dos que me cobram textos mais lúdicos, vamos aos sonhos, que neles habitamos, sonolentos por certo, mas decididos a erigir por ali nossas melhores escolhas. Para uma análise abalizada do que é o universo onírico e, principalmente, por não ser um perito no assunto – afinal, raramente recorro a sonhos para saber o que vou fazer da vida – procurei o alento de todos os que buscam amainar a ignorância: o dicionário. De acordo com o providencial Aurélio, sonhar é devanear, pensar de maneira vaga, distrair-se. Essa não deve ser a idéia de sonho que as pessoas gostariam de ter. Se disser que alguém é sonhador, isso deverá soar como um elogio, não como uma forma de mostrar a incapacidade de atenção ou concentração do indivíduo. Definitivamente, essa acepção está descartada.
Segundo consta nos autos denotativos, sonhar é também sinônimo de desejar ardentemente. Um tanto ambíguo para algumas situações. Eu sonhei com você, nessa perspectiva, seria uma frase bem perigosa ou, no mínimo, reveladora. Desejo você ardentemente seria mais direto e, diga-se de passagem, bem mais sensual, o que, dependendo da ocasião, seria mais apropriado. Se somos todos sonhadores, então existe uma espécie de instinto primitivo que nos força a querer as coisas, mas não apenas pelas simples vontade de ter, senão por desejar com ardência, com paixão, ao ponto de cometer qualquer despautério para se ter a coisa desejada. Antes que me esqueça, sonhar é também sinônimo de suspeitar. Adorei isso. Sonhei que você me amava, mas não amava, pois sonhar é suspeitar, e uma suspeita não passa de uma suposição, uma especulação, uma projeção infundada com base em superficialidades, uma afirmação sem provas contundentes.
Os crédulos façam-me o favor de responder se é direito realizar sonhos, já que é tão bom sonhá-los, acarinhá-los, alimentá-los como se fossem de estimação. É como se encontrássemos um passarinho com a asa quebrada, levássemos o bichinho para casa, cuidássemos dele por um bom tempo e, depois de habituados ao seu conforto, tivéssemos que devolvê-lo à natureza. Faríamos isso sem nenhum remorso? Quanto de nós o passarinho levaria consigo? Quem cuidaria de nossa asa quebrada? São perguntas difíceis de responder, principalmente se nos dedicarmos a explorar cavernas ininteligíveis o bastante para nos fazer esquecer que devemos ter planos, que sem eles estamos condenados à clausura da estagnação, e precisamos realizá-los, pois a vida nos estabelece prazos para isso. Quanto aos sonhos, não há razão para deixá-los, a não ser que se tornem obsessões. A propósito, eu pensaria duas vezes antes de levar o passarinho para casa.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
A uma rosa distante, ainda em mim...
Onde estão tuas palavras, tão necessárias à criação?
Se não te queres iludir, iludas-te!...
que disso - a ilusão - é que são feitas as pontes
que encimam a onírica barra da esperança;
"Que esperança? Que ainda queres de minha distância?"
Digo-te de sopro: Ainda que pelas janelas da alma,
observo-te íntegra e derradeira...
Há de haver uma intercessão, de que a culpa
não mais se ocupará...
Há de haver um último conforto, de tal forma íntimo,
que romperá como o primeiro.
Como, se não há mais o alento das palavras?
O que dizer quando não há mais o que fazer?
O que se faz quando não se aguenta mais?
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
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